Quando você ainda é ambiciosa, mas já não quer viver para trabalhar

Existe uma ideia de que, em algum momento da vida, você precisa escolher entre ser ambiciosa ou viver com mais leveza.

Como se querer mais tempo, dormir melhor, cuidar da saúde e ter uma vida que não gire apenas em torno do trabalho significasse ter perdido a vontade de crescer.

Mas talvez você continue querendo construir coisas importantes.

Continue querendo ganhar mais, criar projetos, assumir desafios, aprender, empreender, mudar de carreira ou chegar mais longe profissionalmente.

A diferença é que agora você já não quer pagar qualquer preço para chegar lá.

Talvez sua ambição não tenha diminuído. Você apenas começou a incluir sua vida na definição de sucesso.

Durante muito tempo, trabalhar mais parecia ser o caminho natural

Para muitas mulheres, boa parte da vida profissional foi construída em um ambiente que premiava disponibilidade.

Responder rápido. Aceitar mais uma demanda. Ficar até mais tarde. Resolver problemas. Mostrar comprometimento. Aproveitar todas as oportunidades.

Em determinados momentos, isso pode realmente ter ajudado você a crescer.

O problema começa quando esse ritmo deixa de ser uma fase e vira a única forma possível de trabalhar.

•
O almoço acontece na frente do computador.
•
O celular continua sendo checado mesmo depois do expediente.
•
Descansar parece algo que precisa ser merecido.
•
Você está fisicamente fora do trabalho, mas continua mentalmente nele.
•
Boa parte da sua autoestima começa a depender do quanto você produz.

Aos poucos, trabalhar deixa de ser uma parte importante da vida e começa a ocupar espaço demais dentro dela.

E então uma pergunta começa a aparecer

Em algum momento, você pode olhar para a carreira que construiu e pensar:

Eu ainda quero crescer, mas preciso continuar vivendo assim para conseguir?

Essa pergunta não significa que você esteja desistindo.

Pode significar apenas que sua ideia de sucesso ficou mais completa.

Trabalho continua importando. Mas saúde, tempo, relações, descanso, interesses pessoais e liberdade também passaram a entrar na conta.

Depois de certa fase, crescer deixa de significar apenas fazer mais

No início da carreira, crescer costuma estar associado a acumular.

Mais experiência. Mais responsabilidade. Mais dinheiro. Mais oportunidades. Mais reconhecimento.

Com o tempo, você começa a perceber que crescimento também pode significar escolher melhor.

Talvez hoje você queira:

•
trabalhar em projetos que façam mais sentido;
•
ter mais autonomia sobre seus horários;
•
ganhar melhor sem necessariamente trabalhar mais horas;
•
recusar oportunidades que não combinam com o momento da sua vida;
•
construir algo próprio;
•
ter energia depois do expediente para viver outras partes de quem você é.

Isso também é ambição. Apenas uma ambição que não considera exaustão como requisito.

Uma diferença importante

Querer trabalhar menos não é necessariamente querer conquistar menos. Às vezes, significa querer trabalhar melhor.

Talvez o que esteja mudando seja sua relação com a performance

Durante anos, é possível confundir desempenho com valor pessoal sem perceber.

Um dia produtivo faz você se sentir bem. Um dia em que produziu pouco traz culpa. Um projeto que dá certo confirma que você é competente. Quando algo dá errado, a sensação parece muito mais pessoal do que deveria.

Quando trabalho e identidade ficam misturados demais, diminuir o ritmo pode parecer quase ameaçador.

Quem sou eu se não estiver sempre fazendo alguma coisa?

Será que estou ficando acomodada?

Será que vou perder oportunidades?

Essas perguntas fazem sentido, principalmente para quem passou boa parte da vida sendo reconhecida pela capacidade de resolver, produzir e entregar.

Você não precisa escolher entre carreira e qualidade de vida

Nem sempre o problema está na carreira.

Às vezes, está na forma como ela ocupa a sua vida.

Talvez você continue gostando muito do que faz, mas precise colocar limites diferentes.

Talvez queira permanecer na mesma profissão, mas mudar de empresa.

Talvez queira trabalhar por conta própria, reduzir a carga ou construir uma nova fonte de renda aos poucos.

E talvez ainda não saiba exatamente qual mudança precisa fazer. Nesse caso, não é necessário transformar uma inquietação em uma decisão radical.

Antes de mudar de carreira, olhe para estas três coisas

Às vezes, o desejo de jogar tudo para o alto nasce de um problema que pode estar em uma parte específica da vida profissional.

01

É o trabalho ou é o ritmo?

Você não gosta mais do que faz ou está cansada da quantidade de coisas que precisa sustentar para continuar fazendo?

02

É a profissão ou é o ambiente?

Às vezes, mudar de empresa, equipe, formato ou contexto altera completamente a experiência profissional.

03

É falta de ambição ou mudança de prioridade?

Talvez você continue querendo crescer, mas não queira mais organizar toda a sua vida em função desse crescimento.

O trabalho pode continuar importante sem ser o centro de tudo

Existe uma diferença entre gostar muito de trabalhar e precisar que o trabalho ocupe todos os espaços.

Você pode continuar levando sua carreira a sério e, ao mesmo tempo, querer terminar o dia com energia para jantar sem pressa, fazer exercício, encontrar alguém, ler, viajar, ter hobbies ou simplesmente descansar.

Pode querer dinheiro, realização e crescimento profissional sem transformar esses objetivos na única medida de uma vida bem vivida.

Talvez uma carreira boa, para você hoje, seja justamente aquela que permite continuar construindo o que deseja sem precisar desaparecer dentro dela.

Quatro perguntas para rever sua relação com o trabalho

Não precisa responder pensando no que seria ideal. Pense na vida que você realmente quer sustentar.

01

O que eu ainda quero conquistar profissionalmente?

02

O que eu não quero mais sacrificar para conseguir?

03

Quanto da minha autoestima ainda depende da minha performance?

04

Se o trabalho ocupasse um pouco menos de espaço, o que eu gostaria de colocar no lugar?

Talvez sua ambição só tenha amadurecido

Você não precisa querer menos para viver melhor.

Pode continuar sendo uma mulher ambiciosa, interessada em crescer, construir e conquistar coisas importantes.

O que muda é perceber que sucesso também precisa funcionar fora do currículo.

Precisa caber na sua saúde, no seu tempo, nas suas relações e na maneira como você deseja viver os próximos anos.

Talvez você não esteja perdendo a ambição. Talvez esteja apenas escolhendo com mais cuidado onde vale a pena colocar sua energia.

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